A Companhia das Índias Ocidentais, necessitada de rendas
desejando reparar as suas finanças e mesmo tempo que
visava ressegurar o domínio holandês. Teve portanto a
iniciativa de mandar ao Ceará uma segunda expedição
constituída de 298 homens, sob as ordens de Matias Beck.
Embarcaram no Recife em 20 de março de 1649 e
no dia 6 de abril acabaram de desembarcar na enseada do
Mucuripe, mais próximo da foz do rio Pajeú. Marcharam para
o sítio Marajaitiba, ao sopé do qual corria o rio chamado
de Marajaík. Esse pequeno rio denominou-se depois Ipojuca,
Telha e por fim Pajeú.
"Não tendo deparado com sítio algum mais
próprio e melhor, resolvi construir aqui, com toda a
brevidade possível, a nossa fortificação" - diz Beck em seu
relatório, selando com essa expressão o início ou fundação
de Fortaleza, a capital cearense.
No dia 10 foi traçada, em forma pentagonal, a
planta da fortificação e, das ruínas do forte de São
Sebastião, na barra do Ceará, foi trazido, num carro puxado
por negros e soldados, o pouco que se podia aproveitar:
telhas e velhas peças de artilharia, soterradas pelos
ventos, as quais foram aplicadas na construção do novo
forte, que tomou o nome de Schoonenborch, em homenagem ao
então governador de Pernambuco.
Enquanto preparava o seu baluarte defensivo,
Matias Beck intensificava as pesquisas da mineração, ora na
Itarema, ora em outros lugares, sem contudo obter
resultados apreciáveis. Não esquecia, por sua vez, o
plantio de cereais e o da mandioca, a fim de garantir o
sustento de sua gente.
Apesar de mudança constante das escavações,
nada se conseguia, recorrendo-se, por último, a procuras na
serra da Ibiapaba, mas inutilmente. A força de ânimo de
Beck não supria os fracassos da mineração, e a sua posição
era agravada com as notícias fantasiosas dos índios que
comunicavam-lhe a existência de minas imaginárias, a troco
de vantagens de toda espécie.
Após cinco anos, não podendo ir além sua
missão, Matias Beck embarcou com os seus soldados em
direção a ilha de Barbados. Se mais não deixara, pelo menos
plantou os alicerces de uma cidade, hoje cheia de progresso
e vida, que agora já rende as homenagens ao seu verdadeiro
iniciador.
Em 1612, quando aqui aportou Martim Soares
Moreno, o local que melhor se apresentava ao
estabelecimento de um núcleo populacional era, não há como
negar, a "Barra do Ceará". Ali se apresentava um
ancoradouro natural e o rio Coreaú ou Ceará dava acesso até
às imediações da atual cidade de Caucaia, navegável por
canoa. Ainda hoje podemos verificar essa assertiva.
As dunas enormes que se acumulavam naquela
bonita praia, posteriormente foram se estreitando e
fechando o escoadouro, tornando o outrora porto natural
inadequado para a fundação de uma cidade. Assim, a fundação
de Schoonenborch nas proximidades do Poço da Draga,
verificada 37 anos depois, apresentou-se mais apropriada.
Fortaleza permaneceu mais de duzentos anos como
insignificante aglomerado demográfico. Ao tornar-se centro
exportador de algodão, às vésperas de nossa Independência,
experimentou uma fase inicial de progresso e viveu grande
surto de desenvolvimento material e cultural, conferindo
uma feição elegante à paisagem urbana, comprometida a
partir de 1930.
Envolvendo obras recentes, isto é, do último
decênio do século passado e dos três primeiros deste,
Fortaleza deve ser observada do ponto de vista da
arquitetura religiosa neoclássica e neogótica, da
arquitetura metálica importada, do ecletismo arquitetônico
e da introdução das técnicas já contemporâneas do concreto
armado.
Chegando esta bonita capital brasileira a atingir um dos
maiores PIBs do Nordeste, e contando atualmente com uma
população em torno de 3 milhões he habitantes. É bastante
salutar informar que esta bela capital tem se destacado por
seu enorme potencial turístico e pelas grandes obras, as
quais estão sendo empreendidas por intermédio de sua
Prefeitura em parceria com o governo do estado do
Ceará.
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